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Com 145 cv, essa Ducati tem suspensões e freios ABS top de linha, aliados à controle de tração e três modos de pilotagem por R$ 73.900

A versão topo de linha da Ducati Monster, a 1200S, traz a mesma essência purista de suas antecessoras – tanque, motor e ciclística “amarrada” em um quadro de treliça -, porém com mais tecnologia embarcada para controlar toda a fúria de seu motor. Um bicilíndrico em “L” de 145 cv de potência e mais de 12 kgf.m de torque. Para equalizar esta usina de força, a Ducati recorreu aos modos de pilotagem, que regula a entrega de potência e torque do motor, ajusta também o ABS e o controle de tração. Mas tudo tem seu preço que, no caso da bignaked italiana, é de R$ 73.900.
Ao subir na moto, chama a atenção a postura natural de pilotagem, típica de uma naked. A Ducati encontrou uma posição mais ergonômica para pilotos medianos, como eu, de 1,72 m. O único inconveniente é o espaço entre as pedaleiras. Com a ponta da bota apoiada na pedaleira dianteira, o calcanhar esbarra no suporte da pedaleira traseira. Ou seja, os pilotos que calçam mais de 40 podem ficar “apertados” sobre a 1200S!

motor

Na cidade e na estrada
Bem, agora é hora de virar a chave e encarar a estrada, seu habitat natural. O motor da Monster 1200S não tem ronco, mas sim um rugido, que instiga o piloto a acelerar. Até acessar a rodovia, a melhor opção é selecionar o modo “Urban”. Neste modo de pilotagem, o propulsor restringe a entrega de potência a 100 cv, aumenta a ação do ABS e do controle de tração. Apesar do descompasso em baixos regimes, afinal o motor responde mesmo acima dos 3000 rpm, a segurança fala mais alto.
Depois de entrar na estrada era hora de mudar para o modo “Touring”. Agora o motor oferece 145 cv, mas deixa as respostas do acelerador mais suaves; diminui a ação do ABS para o nível 2 e reduz também o controle de tração. Ou seja, ideal para a prática do mototurismo, com controle e boa dose de adrenalina.

moto

Como esta Ducati foi feita para motociclistas experientes, preferi me familiarizar primeiros com os comandos e com as respostas do motor, além de sua ciclística. Depois desta fase de reconhecimento era a hora de usar a opção “Sport”. Aqui toda a cavalaria é liberada, sem restrições. Ao girar o acelerador, as respostas são instantâneas – um soco no estômago, tamanha a força. Nesta configuração há uma menor intromissão do ABS e do controle de tração. Ou seja, pura emoção na tocada mais radical.
As mudanças dos modos de pilotagem podem ser feitas com a moto em movimento, mas o motociclista não pode girar o acelerador por 3 segundos. Além dos três modos pré-estabelecidos pela Ducati, a Monster 1200S permite que o piloto personalize os controles eletrônicos ao seu gosto.
Com 17,5 litros de combustível no tanque, o consumo ficou entre 16 e 22 km/l. Assim, a autonomia pode variar entre 280 e 380 km. Tudo depende do estado de espírito e do ímpeto do piloto ao girar o acelerador ride by wire.

Eletrônica e ciclística
Além de uma confortável posição de pilotagem e o bom desempenho do motor, tudo está à mão na Monster 1200S. Todas as combinações e acertos do comportamento do propulsor são bastante intuitivos e selecionados por meio de botões que ficam no punho direito. Toda e qualquer mudança pode ser acompanhado pelo grande painel de LCD do painel. Mas dependendo da incidência dos raios solares, a leitura fica comprometida. Durante a pilotagem noturna, visibilidade total.

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Para compensar tanta força bruta e tecnologia embarcada, a ciclística também está preparada para oferecer o máximo de conforto, desempenho e segurança. Assim, a Ducati equipou sua bignaked com o que há de melhor: discos duplos e pinças monobloco Brembo fixadas radialmente, na dianteira, e disco simples com pinça de dois pistões, na traseira; com o auxílio do moderno sistema ABS 9MP da Bosch. Traduzindo: frenagens praticamente instantâneas, como em uma superbike.
O garfo telescópico invertido Öhlins de 48 mm de diâmetro, na dianteira, e o monoamortecedor, também Öhlins, com reservatório de expansão a gás, na traseira, mostravam muita eficiência, copiando com muita propriedade as imperfeições do piso, mantendo, a Monster 1200 sempre no trilho. E, assim como em outras Ducati, essa big naked oferece muita estabilidade e uma ciclística precisa.

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Resumo da ópera
Apesar de toda sua força, potência e tecnologia embarcada, a Monster 1200S não foi feita para longas viagens, já que não conta com uma boa proteção aerodinâmica e, consequentemente, o vento bate no peito acima dos 140 km/h. A 1200S quer rodar em rodovias bem pavimentadas, mas, se além do asfalto em boas condições, houver um trajeto recheado de curvas, o passeio será perfeito. Com a ajuda do corpo e com pressão nas pedaleiras, essa naked italiana pode se comportar como uma superesportiva. Dois fatores contribuem para isso: o baixo peso (209 kg em ordem de marcha) e a ciclística acertada!
No melhor estilo naked, a moto esbanja segurança e diversão, principalmente em rápidas e emocionantes acelerações nas saídas de curva. Neste projeto, o que fica claro é que a marca italiana quer ofertar tecnologia, desempenho e o máximo prazer na pilotagem.

Texto: Aldo Tizzani / Agência INFOMOTO
Fotos: Doni Castilho / Agência INFOMOTO