Fábrica japonesa traz para o modelo de série as melhorias que fizeram de sua superesportiva de 1.000cc e 200cv a atual campeã Mundial de Superbike. Modelo 2017 chega às lojas em julho por R$ 78.990

 

Sinônimo de moto esportiva, a Kawasaki Ninja tem na versão de 1.000cc a sua representante mais emblemática e vencedora nas pistas. Nos últimos três anos, a Ninja ZX-10R conquistou um vice-campeonato (2014) e dois títulos mundiais (2013-15) da categoria Superbike, na qual participam motos produzidas em série. Apesar do sucesso nas corridas, a ZX-10R, lançada em 2011, vinha sendo ofuscada por suas rivais mais novas no segmento de superesportivas.

Para buscar o pódio também nas vendas, a marca japonesa trouxe para as ruas as mudanças que fizeram da Ninja ZX-10R a moto mais rápida no grid da Superbike. Renovado, o modelo 2017 chega ao Brasil em julho somente na cor verde e com preço sugerido de R$ 78.990.

 

Ajuste fino


Isoladamente, chega a ser difícil diferenciar a nova Ninja ZX-10R da antiga. Mas a carenagem com linhas angulosas foi redesenhada para oferecer mais proteção aerodinâmica e o novo escapamento de titânio já deixa a superesportiva adequada às novas regras de emissão do Promot 4. Mas a principal característica é o novo virabrequim mais leve que reduz em cerca de 20% a força inercial, melhorando assim a aceleração do motor e também a agilidade da nova ZX-10R – um dos muitos ajustes finos desenvolvidos pela Kawasaki nas pistas do Mundial de Superbike.

Há muitas outras alterações no motor de quatro cilindros, DOHC e refrigeração líquida de 998 cm³, incluindo novos comandos das 16 válvulas, pistões mais leves e melhorias nos sistemas de alimentação e lubrificação. O valor de 200 cv a 13.000 rpm não foi alterado, mas na prática o propulsor cresce de giros mais rapidamente até a sua potência máxima.

O resultado é uma moto que acelera como um soco no estômago até a faixa vermelha do conta-giros de 14.000 rpm, ajudada pelo motor mais “leve”, mas também por uma caixa de marchas de seis velocidades equipada com um preciso e suave quick-shifter – diferentemente de algumas rivais, o sistema funciona apenas para subir as marchas, mas a Kawasaki irá comercializar também um kit racing para as reduções. Embora a empresa afirme que o desempenho em médios regimes também foi melhorado, a Ninja ZX-10R ainda tem uma entrega modesta de força abaixo dos 7.000 rpm, ou seja, continua sendo uma esportiva puro-sangue que gosta de girar alto.

 

Mais ágil e precisa


A maneabilidade da nova Kawasaki Ninja ZX-10R também se beneficia da menor inércia do motor, mas a principal vantagem do novo modelo é sua ciclística aprimorada, novamente, nas pistas. O quadro em alumínio foi redesenhado e a balança traseira, alongada, mudanças que “colocam” mais peso sobre o eixo dianteiro. Com isso, as mudanças de direção são mais rápidas e as entradas de curvas mais precisas – se na antiga Ninja de 1.000cc era preciso certo esforço para deitá-la nas curvas, o novo modelo se mostrou mais “leve” e ágil.

A maior agilidade da nova ZX-10R era facilmente perceptível no miolo travado do Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), onde é preciso mudanças rápidas de direção. E para minha surpresa, apesar da ficha técnica indicar 206 kg o peso em ordem de marcha – 5 kg a mais que a versão anterior -, o modelo 2017 mostrou-se mais ágil e estável, também ajudado pelo novo amortecedor de direção eletrônico Öhlins.

Outra parte importante do bom desempenho da nova Ninja passa, obviamente, pela eletrônica mais refinada. O controle de tração, desenvolvido pela Kawasaki, agora incorpora a unidade inercial da Bosch (IMU), assim como sua moderna rival, a Yamaha R1. O novo Sport Kawasaki Traction Control oferece cinco níveis de ajuste – antes eram três – e propicia um controle mais preciso, deixando o pneu traseiro chegar bem perto do limite de aderência nas saídas de curvas, além de evitar que a roda dianteira levante em acelerações mais fortes. Particularmente, pude testá-lo na saída da curva da Junção, onde uma rugosidade no asfalto de Interlagos, fez com que o controle de tração no nível “2” trabalhasse com mais eficiência.

Claro que o conjunto de suspensões e os freios não ficaram de fora do “banho de pista” que a Kawasaki deu em sua ZX-10R. O garfo dianteiro invertido, desenvolvido nas pistas em parceria com a Showa, traz uma câmara de compressão externa para um amortecimento mais preciso e livre de interferências. Batizado de “Balance Free”, o conjunto faz sua estreia em uma moto de série, justamente na nova Ninja. O monoamortecedor traseiro da mesma marca japonesa é outra novidade. Ao contrário de outras rivais, como a Yamaha R1M e a BMW S 1000RR, a Kawasaki não adotou suspensões eletrônicas semi-ativas, mas os conjuntos de alta qualidade na ZX-10R 2017 oferecem múltiplos ajustes.

A frenagem foi aprimorada, pois a atual campeã Mundial de Superbike ganhou discos maiores de 330 mm na dianteira e também as pinças monobloco Brembo M50. Juntamente com um sofisticado sistema ABS oferece frenagens ferozes e controláveis, claramente superiores à versão anterior.

 

Pronta para um trackday


Com tantos aprimoramentos mecânicos e ciclísticos, além de uma eletrônica mais refinada, é fácil concordar com o mote da Kawasaki de que a nova Ninja ZX-10R é mais rápida na pista do que sua antecessora. Entretanto, a marca japonesa não fez nenhum esforço para tornar sua superesportiva mais amigável, embora controle de tração, freios ABS e modos de pilotagem sejam capazes de “domar” a ZX-10R nas ruas e estradas. O painel, eficiente na pista, não é lá dos mais atrativos entre as motos de rua.

Entretanto, se no antigo modelo o motociclista precisaria investir uma boa quantia para poder acelerar em um trackday, com a nova Ninja ZX-10R, o gasto será menor. Calçada com os pneus Bridgestone RS10R (120/70-17 diant./190/55-17 tras.), equipada com freios melhores e amortecedor de direção de série, basta tirar o suporte de placa, espelhos retrovisores e vestir o macacão para se divertir na pista.

Com o preço de R$ 78.990, a Kawasaki Ninja ZX-10R volta a ser uma atrativa opção para quem busca uma superesportiva radical. O valor é próximo ao cobrado pela BMW S 1000RR (R$ 75.900), mas inferior ao da Ducati 1299 Panigale S (R$ 89.900). E muitas vezes menor do que o irreal preço da Yamaha R1 (R$ 125.990). Ou seja, pista livre para a nova superesportiva Kawasaki brigar pela liderança também nas vendas.


TEXTO: Arthur Caldeira/ Agência INFOMOTO
FOTOS: Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO